segunda-feira, 19 de junho de 2017

Miniconto - tumulo

Túmulo

Vitor se abaixou e olhou fixamente para o tumulo a sua frente, uma lagrima escorreu por seu rosto, a vida era realmente muito injusta, e a morte chegava sem avisar.
Ainda encarando o tumulo sentou-se na grama, ela era nova, o que indicava que era recente, e que o corpo ainda estava fresco a alguns palmos abaixo dele.
Vitor sentiu um arrepio na espinha ao imaginar o que estava acontecendo ao cadáver, sendo lentamente devorado por vermes, os quais não deixariam que sobrasse nem um pedaço sequer.
Novamente, Vitor sentiu outro arrepio. Afastou a imagem do corpo sendo comido por vermes de sua cabeça. Tentou pensar em outra coisa, contudo o que conseguiu foi em seu ultimo encontro com seu grande amor, a mulher que se tornaria sua esposa se a morte não tivesse entrado entre os dois.
Mais algumas lagrimas escorreram pelo rosto do Vitor, enquanto a imagem do rosto sorridente da Priscila povoava seus pensamentos.
Então, nesse momento, começou a chover, Vitor olhou para cima, sua lagrimas se misturaram as gotas de chuva, provocando uma sensação estranha. Ele não conseguiu mais se conter, se abaixou e começou a cavar com as mãos nuas, grandes quantidade de terra era jogado para trás, depois de algum tempo duas de suas unhas foram arrancadas no processo, isso era para provocar uma dor imensurável, contudo na sua histeria, nem percebeu, continuou cavando loucamente.
Depois de algum tempo Vitor chegou ao seu objetivo, chegou ao caixão. Havia feito um enorme buraco com as mãos, por causa da chuva havia se formado uma enorme poça no local. Vitor estava todo sujo enlameado, suas mãos estavam em carne viva.
Vitor deu um passo atrás, agora que chegou ao caixão sua coragem se esgotou, não sabia se conseguiria abri-lo, também não sabia por que estava fazendo isso, ele poderia dar as costas e refazer sua vida.
– Não, eu tenho que saber a verdade! – gritou.
Então no impulso ele abriu o caixão, seus olhos se arregalaram, seu labio tremeu ao mesmo tempo que um grito nefasto saiu de sua boca:
– Não! É verdade! É verdade!
Desesperado olhou novamente, não conseguia entender aquele corpo, então virou o rosto para lapide, pela centésima vez leu o que estava escrito:
“EM MEMORIA DE VITOR FERREIRA, AQUELE QUE AMOU DURANTE A VIDA E SERÁ AMADO DEPOIS DA MORTE!”



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Resenha – Guerra do velho, John Scalzi, 2016, Editora Aleph.

Sinopse A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e...